São o veículo de poupança para a reforma mais popular entre os portugueses. Talvez o único que muitos conhecem. A imagem dos PPR está colada aos benefícios fiscais concedidos pelo Estado. Um incentivo fiscal tão proeminente que o seu fim, em 2005, não passou de um interregno de um ano. Grande vantagem, dizem uns. Grande ilusão, dizem outros.
Popularidade nem sempre é sinónimo de conhecimento. Muitos portugueses aderem aos PPR sem saberem as suas condições. Por isso, muito ficam presos a um produto que só pode ser resgatado a partir dos 60 anos, salvo raras excepções, e a elevadas comissões que não compensam o baixo rendimento da poupança. Uma realidade que abrange quer os seguros PPR, que representam mais de 70% do mercado, quer os fundos PPR. Os valores cobrados variam entre instituições financeiras. De uma forma aproximada, que não dispensa análise caso a caso, as comissões de subscrição rondam os 2 a3%, enquanto as comissões de gestão situam-se entre 1,5% e 2%. Em simultâneo, a grande maioria dos PPR dificilmente consegue atingir uma rendibilidade a médio prazo acima de 4%. Não são necessárias muitas contas para perceber que os PPR podem não ser a melhor solução complementar à reforma.
Seguros “versus” fundos PPR
A maioria dos seguros PPR oferece garantia de capital. Uma análise da Deco Proteste, realizada em Outubro e que reporta a 2005, indica que o rendimento mínimo garantido nos seguros PPR ronda os 3%, enquanto as rendibilidades dos últimos cinco anos oscilam entre 3% e 4,5%. Para João Sousa, responsável pela análise, “os seguros são uma opção para quem estiver a aproximar-se da idade de reforma, tendo um mínimo de permanência de cinco anos”, pois o retorno será positivo mesmo na queda dos mercados. No entanto, existem desvantagens. A maior de todas é o facto de o resgate só poder ser feito a partir dos 60 anos, sob pena de elevadas penalizações ao nível das comissões. “Quase sempre que o Estado dá um incentivo fiscal, parte desse incentivo vai parar às mãos de quem oferece o produto”, lamenta.
Os problemas de liquidez dos seguros são extensíveis aos fundos PPR, que representam 20% do mercado. Mas estes têm uma vantagem adicional. Podem investir mais de 35% da carteira em acções, obtendo um retorno superior.
Em alguns PPR, em que a componente accionista é mais forte (ver tabela), as rendibilidades chegam a dois dígitos. O SGF Património Reforma Acções é um exemplo. Tem o retorno mais elevado nos últimos três anos, com uma rentabilidade de 10,26%. Ao mesmo tempo, não exige comissões de subscrição nem de resgate, cobrando pela gestão 1,98%. Destaque ainda para o BPI Reforma Acções. Com perto de um ano, já rende 12,45%. É mais um dos raros exemplos que não cobra comissão de adesão. Os custos da gestão são de 1,975% e do resgate de 1%.
Mas estas são as excepções de uma “regra” que faz da maioria dos PPR uma solução cara e pouco rentável. Vejamos um exemplo.
Cobrar 7% na subscrição, mas dar retorno de 0,75% em 2 anos
O Millennium Reforma & Rendimento cobra a taxa de subscrição de 7%, a mais alta do mercado. O mesmo no resgate (5% até cinco anos) e na transferência (5%). O custo da gestão está na média (0,69%).
Desengane-se quem pensa que a estes custos corresponde um rendimento igualmente elevado. Dados da Associação Portuguesa de Fundos de Investimento (APFIPP) mostram que este fundo do BCP rende apenas 0,75% em dois anos e 1,64% no último ano.
O baixo retorno do Millennium Reforma & Rendimento PPR/E justifica-se pelo facto de estar limitado a um investimento máximo de 5%
em acções. Mas também por estar classificado como um fundo de investimento aberto garantido. Uma designação que exige alguma prudência por parte do investidor que, antes de aderir a este produto, deverá fazer uma leitura atenta ao prospecto. É que o prazo de garantia de capital só se aplicava às adesões realizadas entre 8 de Outubro e 12 de Novembro de 2004, e desde que integrassem os primeiros 20 milhões de euros de subscrições. Dois anos passaram e esta vantagem promocional deixou de existir.
Artigo: Patricia Silva Dias.
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