Obter um contrato implica mais obstáculos a partir dos 60 anos.
Embora contem com uma esperança de vida à nascença cada vez maior, é difícil para os portugueses aderirem a um seguro de saúde a partir dos 60 anos de idade.
Na altura da vida em que, previsivelmente, começam a precisar mais de assistência médica – ou seja, entre os 65 e os 70 anos – os utentes vêem, regra geral, a cobertura dos seus seguros de saúde extinguir-se.
Conseguir um contrato a partir dos 60 pode ser complicado porque os gastos com a saúde aumentam bastante, o que leva as companhias a não arriscarem.
Muitas vezes, quando o contrato não é extinto, o prémio sofre um aumento tão elevado que pode dissuadir eventuais clientes.
Os dois maiores operadores de mercado em Portugal são a MultiCare e a Médis. Na gama de produtos oferecidos pelo primeiro, do grupo CGD, os clientes podem subscrever o seguro de saúde até aos 60 anos e a companhia garante que beneficiam do plano de coberturas “até aos 70″.
A MultiCare tem cerca de 550 mil pessoas seguras, sendo que os clientes com mais de 60 anos representam “cerca de 5% desse universo”. Ainda de acordo com a empresa, “o prémio anual do Seguro MultiCare para um cliente com 60 anos varia consoante o plano escolhido, entre 200 euros e 1400 euros anuais”.
A Médis, do Millennium bcp Fortis, tem 350 mil clientes, dos quais 5,7% têm mais de 64 anos. A companhia garante que, destes, 1500 segurados já ultrapassaram os 80 anos.
O plano Médis para clientes individuais inclui cinco opções, três das quais com idade-limite de subscrição de 64 anos. As outras duas (Viva e Viva+) podem ser subscritas até aos 75 anos.
O prémio anual para pessoas com 60 anos varia entre 100 euros e 1300 euros, aproximadamente.
Carla Oliveira, jurista da associação de consumidores Deco, defende a existência de “legislação específica que regule os seguros de saúde, até porque continua a haver violações do direito à informação”.
O clausulado “é geralmente de difícil compreensão. A informação, além de constar, tem que ser explicada”.
A Deco alerta também os consumidores para o facto de algumas companhias afirmarem que os seus seguros são vitalícios, apesar de nada as impedir de recusarem a renovação quando bem entenderem, uma vez que os contratos têm uma duração anual.
Os clientes correm assim o risco de passarem a contar apenas com o Serviço Nacional de Saúde ou com as suas poupanças para obterem cuidados médicos.
Em Portugal, o número de pessoas com seguro de saúde ascende a 1,8 milhões, ou seja, 18% da população está coberta.
Artigo: Expresso
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