Empresas de ‘leasing’ querem criar rede de mediadores

15 10 2007

A actividade do leasing em Portugal, à semelhança do que acontece noutros países europeus, procura desenvolver novos canais de distribuição. Neste momento, algumas locadoras financeiras portuguesas estão a preparar a criação de redes de agentes para conseguirem chegar junto de um maior número de potenciais clientes.

Esta intenção foi revelada ao DN pelo presidente da Associação Portuguesa de Leasing e Factoring (ALF), José Beja Amaro, à margem da Convenção Anual da Leaseurope, a federação europeia de associações do sector, que esta semana decorreu em Edimburgo, na Escócia.

Da mesma forma que existem os mediadores de seguros, as leasers querem criar os seus próprios brokers, utilizando a legislação existente para a actividade seguradora, necessitando apenas de pedir as devidas autorizações ao Banco de Portugal, como referiu ainda José Beja Amaro.

Novos canais de distribuição e novas áreas de expansão do negócio do leasing foram dois dos principais temas analisados no encontro europeu, a par do tema da fiscalidade (ver texto em baixo).

A área da saúde, as energias alternativas, as parcerias público-privadas, a substituição de infra-estruturas e os aviões foram apontados como os principais sectores a captar financiamento.

Em Portugal, as apostas são semelhantes. Como referiram ao DN responsáveis do sector, com o desenvolvimento da iniciativa privada no campo da prestação de serviços de saúde, existem grandes oportunidades de negócio para as locadoras financeiras portuguesas, como por exemplo no financiamento da compra de equipamento hospitalar.

Entre os novos desafios do sector, está ainda a adopção das novas regras de contabilidade internacional, que estão neste momento em consulta pública. A harmonização total a estas regras só em 2012.

Outra das mensagens foi a necessidade de se fomentar uma maior e melhor divulgação do que é o leasing, uma forma de financiamento em que a propriedade do bem só passa para o consumidor com o pagamento da última prestação à empresa financiadora. Os números do sector são o melhor exemplo da sua dimensão.

A Europa é o principal mercado a nível mundial, com uma produção, no ano passado, de 297 mil milhões de euros, contra 175 mil milhões nos Estados Unidos.

Desde 1994, a taxa média de crescimento anual da actividade no mercado europeu é de 10,9%, passando de uma produção de 85,5 mil milhões de euros naquele ano, para os quase 300 mil milhões do ano passado.

Se analisarmos a importância do leasing como financiador da compra de automóveis, os números são mais expressivos. As leasers europeias têm uma frota de 164,7 milhões de veículos, com a entrada anual de 7,7 milhões de novos carros nas carteiras das empresas. Segundo os dados da Leaseurope, 35,5% dos automóveis novos de cada ano são registados em nome de empresas de leasing. |A jornalista viajou a convite da ALF Artigo: DN / PAULA CORDEIRO


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